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Exame mede estresse antes de aparecer alteração no sangue

12 JAN 2018
12 de Janeiro de 2018

Os desequilíbrios corporais provocados pelo estresse podem ser inúmeros, desde uma dor de cabeça e desconforto gástrico até cansaço, constipação e insônia. No entanto, muitas vezes esses sintomas acabam não sendo associados ao esgotamento por quem os sente, e o tratamento se restringe apenas aos sintomas. Porém, um equipamento de origem russa, chamado Nerve Express System, novidade no Brasil, mostra que é possível detectar precocemente esses sinais de disfunção no organismo causados pelo estresse, antes mesmo de os exames de sangue denunciarem qualquer alteração.

O software, segundo o médico psiquiatra e nutrólogo Frederico Porto, mede principalmente o desequilíbrio do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), que se divide entre simpático e parassimpático. O ramo simpático é concebido para dar resposta de luta ou fuga durante conflitos e crises. O parassimpático é o “freio”, responsável por todo o controle interno do corpo, agindo na recuperação.

Essa diferença no funcionamento do SNA é fundamental para entender como o estresse pode causar disfunções, que, por sua vez, podem resultar em doenças, explica Porto. “No corpo, o que comanda tudo o que a gente não tem que pensar é o sistema nervoso autônomo. A funcionalidade do cérebro humano é dividida em somática – que é o que a gente comanda, por exemplo, mexer os músculos – e autônomo, que é o que funciona sozinho: respiração, digestão, batimento cardíaco. Todas as vezes que a gente tiver consciência de qualquer uma dessas coisas, é porque existe algum problema”, diz.

No exame, o aparelho mede a variabilidade da frequência cardíaca, ou seja, a distância entre uma batida e outra do coração. “Esse tempo tem que variar, se não variar é porque existe rigidez no coração, e é isso que determina o desequilíbrio”, diz.

O software funciona acoplado a um monitor de frequência cardíaca, e o teste completo dura de 15 a 20 minutos. “O resultado sai em cinco minutos. A gente sabe que isso, no fundo, mede o padrão. Não precisa usar 24 horas de monitoramento. Isso é muito usado em atletas para prevenir lesões”, diz.

O exame começa com a pessoa em repouso. Depois, ela fica de pé. Quando a pessoa muda de posição, automaticamente submete o corpo e seu sistema circulatório a um esforço. “Nesse movimento, o coração tem que mudar a batida para se adaptar. Esse mecanismo, ou seja, como ele faz isso determina o quão estressado ou não o paciente está e a capacidade de regularizar seu sistema nervoso autônomo”, diz. O resultado mostra o desequilíbrio no funcionamento deficiente ou acelerado de um ou dos dois ramos do SNA.

A publicitária Vera Lúcia de Morais, 55, se submeteu ao exame. “Achei interessante e uma maneira moderna de demonstrar o que muita gente não percebe e o que às vezes outras pessoas percebem na gente. Eu sou extremamente estressada. Aprendi a conviver com a tensão nas costas, até que um dia fiz massagem e descobri que não precisava ser assim”, conta.

O segredo para o equilíbrio está na respiração, diz médico

O psiquiatra Frederico Porto afirma que investiga outros aspectos após o exame. “O resultado do exame chama a atenção, mas faço outras perguntas, pois o paciente pode também estar deprimido. Tenho uma paciente cujo primeiro sintoma de disautonomia foi alteração gástrica. Ela foi medicada, mas como o problema não foi resolvido, depois se manifestou como síndrome do pânico”, diz. Todos nós temos sintomas de disautonomia, basta observar. “No meu caso é enxaqueca”, assume Porto.

O segredo do equilíbrio, segundo ele, está na respiração. “Se cada pessoa introduzir na sua vida dez minutos de prática respiratória rítmica e suave, isso serve como recuperação e muda seu padrão. Se tiver estressado, antes de uma entrevista ou prova, se o indivíduo fizer esse exercício, vai ativar o córtex pré-frontal, a memória RAM, e evitar seu colapso, reduzindo as chances de ‘dar branco’”, ensina.


Minientrevista

Frederico Porto
Psiquiatra e nutrólogo

De que forma o senhor avalia que a tecnologia mudou nosso comportamento?

Se observarmos toda a informação que havia no ano 1, demorou 1.500 anos para dobrar esse volume de informação, e hoje dobra a cada 12 meses. Isso é uma pressão muito grande. Nós não fomos “desenhados’ para um mundo dessa forma. Somos pressionados continuamente, principalmente pelo celular.

Cite exemplos.

Isso vai gerando um estado de eterna saída da zona de conforto e é o fator de maior estresse no mundo hoje. Cerca de 15% da população mundial tem algum transtorno de ansiedade. A depressão é considerada a segunda causa de perda de dias produtivos dos 15 aos 44 anos. Na Inglaterra, em 1957, 52% dos ingleses se consideravam felizes. Em 2005, apenas 36%, sendo que a riqueza per capita inglesa triplicou nesse período Para as crianças é pior ainda porque, antes de entrarem na escola, elas já assistiram a mais de 5.000 horas de vídeos no YouTube. E, quando chegam à escola, elas não conseguem ficar sentadas, acham monótona.

Por que o exame só chegou no Brasil há cinco anos e não é muito difundido? É caro?

O equipamento deve custar em torno de US$ 10 mil, mas é pouco difundido porque o resultado não é o diagnóstico. Ele mede uma síndrome, que é o estresse. Por isso, na minha visão, tornou-se menos popular do que deveria.

Fonte: http://www.otempo.com.br/interessa/sa%C3%BAde-e-ci%C3%AAncia/exame-mede-estresse-antes-de-aparecer-altera%C3%A7%C3%A3o-no-sangue-1.1560497
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